Germes For Dummies

Alô, alô, criançada! Na aula de hoje temos um tema importantíssimo. Essa última semana recebemos muitas reclamações de algumas mães falando que seus filhinhos andam aparecendo com piolhos, que os filhotes tem ficado com muitos enjôos, e que apostam que isso deve ser culpa daquele escroto do Naldinho cujos pais não contribuiram pra vaquinha do amigo oculto da Associação de Pais e Mestres. Escroto. Então, tome nota e preste atenção. O processo é violento.

Eu passo a semana toda esperando quarta-feira que é dia de bife à parmegiana e milho na espiguinha no serviço. Putaquepariu que felicidade que é esse bife na minha vida. Tava tão feliz que quase nem fiquei bolado quando a minha escova de dentes caiu no vaso. Quase. Porque um corno de um milho resolveu passar o dia me torturando entre os dentes. Impossível sair. Pessoas juravam que eu tinha ficado retardado mental, tentando tirar essa merda com a língua, quase testando se meu punho inteiro entrava na minha boca pra remover esse cu. Cara, comida no dente me dá muito nervoso.

O pior de comida no dente é que eu começo a pirar. Imaginar na quantidade de germes que devem tá na minha boca, ali de boa destruindo anos e anos de aparelhos ortodentários, sentindo cada um deles passear calmamente pela boca. Mas assim, o que impede eles de se manterem na boca? Não é como se eu tivesse um rio de lava separando minha boca do resto do corpo. Na verdade, não tem nada separando. Eles podem simplesmente andar livres, entrar nos poros que quiser, percorrer a superfície que quiser. Pior, quem disse que germes querem sair da boca? Eles podem muito bem andar pra dentro, pra dentro pelo amor do bebê Jesus! Vocês saber que a boca e o cu são essencialmente o mesmo tubo??(citation needed) Pois é, pois é, pois é.

É mais ou menos por aí que eu percebo que nesse momento, nesse exato minuto, eu estou coberto de germes. AEAEEAHHSSSSOCOOROROOC ROCOROCAEAEAEAEEAEJCTDrrrrrrrrrrrrAAAAAAAHHHHHHHufa. (esse fui eu correndo pelo escritório, tirando a roupa e me esfregando nu contra um carpete áspero)(esse também fui eu correndo desempregado). “Felipo, ce ta bem” “Mano, eu to coberto de germes, existem germes em todos os lugares” “É, eu sei, cara. Tá tudo bem. Acontece. A gente pode tentar tirar eles ao máximo, a gente passa a maior parte do tempo só tentando ignorar a existência deles, mas o que não dá é pra do nada se tocar que existe e querer lanhar bunda no trabalho”

Depois desse dia, nunca mais acreditei em arrastão.

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