Religiões For Dummies

Boa noite, caro amigo. Ajoelhe-se aí nesse banquinho e me conte o que te perturba. Me conte seus maiores segredos, tudo aquilo que você se arrepende, tudo aquilo que te faz sentir podre na vida. Eu estou aqui pra te ajudar. Eu tenho o poder de te limpar dos pecados, até pelo menos a semana que vem. Sim, eu sei que aquele pãozinho também deveria te salvar. Aquela água, também, super espiritual. Mas nenhuma dessas substitui contar suas coisas pra mim. Vai, vamos, conta. Conta logo, moleque, sei bem que foi você que pôs melado no banco da igreja! O tema dessa semana é Religião For Dummies. O processo é violento.

Ok, eu compreendo que a simples lógica e a razão não proporcionam explicações lógicas pra tudo. É tranquilo imaginar uma força superior. Uma força criadora. O que eu não me aguento é com as certezas. Todas as religiões do mundo contaram com alguém recebendo uma inspiração divina e escrevendo um livro sozinhos. O profeta foi lá e sozinho descobriu que só existe um Deus, Ele é homem que nem ele, que Ele escolheu o povo dele pra ser especial, que Ele até prometeu terras e proibiu a galera de comer porcos, pra fuder com o chiqueiro daquele vizinho filhodaputa que fica levando leitão pra passear no meu gramado e não recolhe cocô.

Será que eu sou o único que consegue ver Jesus como um grande Macunaíma da Antiguidade, zuando pela vida, pregando peças, mágicas e patifarias? Ele, que já teria nascido de um golpe fudido de Maria enganando um carpinteiro corno meio ingênuo, quase cínico, feliz e sorridente que o filho dele é filho de anjo. Mas aí o garoto quando vem é o capeta em forma de guri, juntando com sua gangue pra viajar, filando casa e comida, fazendo truque com corante pra cima de bêbado em festa, brincando de um morto muito louco.

Mas o que meio que legitima, no fundo, é a mensagem. Todos falam de amor, caridade e tals. Mas tem que haver um filtro. Eu imagino se Jesus estivesse aqui. Ele num debate político, tentando ser o eleito pelo povo, só que agora com eleição. “Jesus, você é pró-vida?” “Ahn, sim, acho que posso dizer que sim.” “E o que você tem a dizer sobre as acusações do seu adversário de que você seria responsável por todas as mortes na História da humanidade?” “Bem…” “E o que você pode dizer sobre o desaparecimento dos dinosauros? Pra onde foi essa mamata?” “Olha, …” “Jesus, ano passado meu filho pediu um skate e tudo que ele ganhou foi uma máquina de fazer pão da Polishop, você não tem vergonha?”

Tá tudo bem ter religião. O que não vale é acreditar na alegoria, vai. Alguém está cafetinando a garota de 12 anos que existe dentro de você. Vamos ficar só com o amor e cuidado entre todos. Prometo que é assim que vai melhorar. E por mais uns trocados, eu posso prometer o que você quiser.

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