Motéis For Dummies

Hohoho! Acabou o Natal, Jesus já nasceu e já partiram o peru, e eu estou aqui denovo, muito bem acompanhado para ensinar os segredos da vida. Passados os feriados religiosos, vai começar a putarinha. O processo é violento.

Diferente do que as pessoas imaginam, motéis podem ser muito mais imponentes do que parecem. Por trás do letreiro neon e do chafariz existe um mundo de julgamentos e preconceitos que sobrevive pelo silêncio dos oprimidos. Entrar num motel pode ser tão aterrorizante quanto aquela primeira camisinha comprada, ou às revistinhas de mulher pelada que você botava dentro dos gibis do Spawn.

Eu me refiro a galera que não tem carro e tem que ir à pé, entrando por largos caminhos de carros, adentrando ambientes marmorizados, andando de mãos dadas com uma exposta companheira já suada de ter andado do ponto até ali. Já de início, o porteiro te olhando de cima a baixo, você sem saber onde por as mãos, faz o que? Segura o seu volante imaginário? Quando se entra no motel sem carro, se entra nu.

Eu me recuso também a pegar um táxi para ir ao motel. Ir de taxi é como um convite aberto. O cara já te levou até lá, baixou o vidro, conversou com o porteiro, negociou o quarto e não leva nem um agrado? E todo mundo sabe que um beijinho na cabeça nem conta de verdade, né?

Nós temos é que abaixar nossas expectativas quanto aos motéis em favor de um bem maior. Quem precisa dessa pompa? Da próxima vez, quem sou eu para reparar um cabelinho no vaso? Ou uma manchinha no lençol? Ou aquele cheirinho estranho da travessa de frutas que vinha na promoção da suite Tropicana? Quem se importa com as cameras atrás do espelho ou com detalhes bobos como possuir dois rins? Acho que se isso não prova meu ponto, eu teria que estar errado. Até a próxima.

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